quarta-feira, setembro 23

Stablecoins no mercado financeiro: veja onde essas criptomoedas são utilizadas

As stablecoins ganharam espaço no mercado de ativos digitais por combinar características da tecnologia blockchain com a busca por menor volatilidade em relação a outras criptomoedas. Em geral, elas são projetadas para acompanhar o valor de um ativo de referência, principalmente o dólar americano.

Apesar de serem conhecidas pelo uso em negociações de criptomoedas, as stablecoins também aparecem em pagamentos, transferências internacionais, operações de finanças descentralizadas, liquidação de transações e aplicações relacionadas à tokenização. Estudos recentes do Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostram que uma parcela importante das operações com stablecoins está integrada a transações complexas envolvendo negociação, empréstimos, provisão de liquidez e contratos inteligentes.

Stablecoins dentro do mercado financeiro

O funcionamento das stablecoins é diferente do de criptomoedas como o Bitcoin. Enquanto o Bitcoin não possui uma paridade oficial com uma moeda tradicional, muitas stablecoins buscam manter uma relação de valor com moedas fiduciárias ou outros ativos.

As stablecoins lastreadas em moedas fiduciárias são predominantes no mercado e estão fortemente concentradas em ativos vinculados ao dólar. O BIS aponta que aproximadamente 98% do valor das stablecoins é denominado em dólares.

Essa característica faz com que elas sejam utilizadas como uma espécie de representação digital de valor dentro de redes blockchain, permitindo movimentações que podem ocorrer continuamente e ser integradas a sistemas programáveis.

Negociação de criptomoedas

Uma das principais utilizações das stablecoins atualmente está no próprio mercado de criptomoedas.

Elas podem funcionar como unidade de referência para negociações envolvendo Bitcoin, Ethereum e outros criptoativos. Em vez de converter constantemente os recursos para uma moeda tradicional, participantes do mercado podem utilizar stablecoins dentro do ambiente blockchain.

O BIS destaca que o principal uso das stablecoins continua relacionado à negociação de criptoativos. Elas também podem atuar como instrumentos de entrada e saída do ecossistema cripto e como garantia em determinadas operações.

Esse uso ajuda a explicar por que as stablecoins possuem grande importância para a liquidez dos mercados digitais.

Pagamentos digitais

Outro campo de utilização são os pagamentos digitais.

Como tokens registrados em blockchain, as stablecoins podem ser transferidas entre carteiras sem depender necessariamente dos mesmos sistemas utilizados em pagamentos bancários tradicionais.

A tecnologia também permite que determinadas operações sejam programadas por meio de contratos inteligentes. Nesse modelo, uma transferência pode ser executada automaticamente quando determinadas condições previamente estabelecidas são atendidas.

Apesar desse potencial, a utilização das stablecoins em pagamentos da economia real ainda é relativamente pequena quando comparada ao tamanho dos sistemas tradicionais de pagamentos.

Transferências internacionais

As transferências entre diferentes países são outro caso de uso frequentemente associado às stablecoins.

Uma operação realizada sobre uma rede blockchain pode funcionar sem depender diretamente de horários bancários tradicionais e pode ser processada de forma contínua. Isso cria possibilidades para transferências internacionais e remessas.

O Fundo Monetário Internacional destaca que o uso de stablecoins em pagamentos internacionais e remessas cresceu, embora ainda permaneça pequeno em relação ao sistema financeiro tradicional.

Na prática, porém, o custo total de uma transferência não depende apenas da taxa da blockchain. Conversão de moedas, plataformas de entrada e saída, spreads e outros custos também precisam ser considerados. O BIS ressalta que, em determinadas situações, essas despesas podem reduzir ou até eliminar a vantagem econômica de uma transferência baseada em stablecoins.

Finanças descentralizadas

As stablecoins também desempenham um papel importante nas chamadas finanças descentralizadas, ou DeFi.

Nesse ambiente, tokens podem ser utilizados em protocolos baseados em contratos inteligentes para diferentes funções financeiras, como empréstimos, provisão de liquidez e operações de negociação.

Um estudo do BIS publicado em 2026 analisou centenas de milhões de registros relacionados a USDT, USDC e PYUSD e identificou que uma parcela significativa das atividades com stablecoins está incorporada a transações complexas, nas quais ocorrem várias operações simultaneamente.

Isso mostra que o uso das stablecoins vai além de simplesmente transferir dinheiro de uma carteira para outra.

Liquidação de operações

A capacidade de realizar transferências programáveis também faz das stablecoins uma ferramenta potencial para liquidação de operações financeiras.

Em uma blockchain, diferentes ativos e tokens podem ser movimentados dentro de uma mesma infraestrutura. Com contratos inteligentes, determinadas etapas de uma transação podem ser executadas automaticamente.

O BIS destaca a possibilidade de combinar tokenização, contratos inteligentes e liquidação atômica, na qual determinadas etapas de uma operação são realizadas simultaneamente.

Esse conceito é relevante para o desenvolvimento de novas infraestruturas financeiras digitais.

Tokenização de ativos

A expansão da tokenização também está relacionada ao crescimento das stablecoins.

Tokenização significa representar ativos ou direitos em forma de tokens registrados em uma infraestrutura digital programável. Nesse ambiente, uma stablecoin pode funcionar como meio de pagamento ou liquidação para transações envolvendo outros ativos tokenizados.

O BIS considera a tokenização uma das áreas que podem transformar a infraestrutura financeira, incluindo pagamentos internacionais, mercados de valores mobiliários e outros processos financeiros.

O FMI também aponta que a tokenização ainda está em estágio inicial, mas avança em direção a aplicações comerciais.

Comércio internacional e empresas

Outro possível campo de aplicação está nas operações financeiras de empresas que atuam internacionalmente.

Stablecoins podem ser utilizadas em determinados fluxos de pagamentos, gestão de caixa e operações relacionadas ao comércio internacional. Entretanto, a adoção empresarial ainda é limitada quando comparada ao uso dentro do próprio mercado de criptoativos.

O BIS cita pagamentos dentro de cadeias globais de empresas e gestão de caixa de multinacionais entre os possíveis usos, mas ressalta que a utilização comercial permanece relativamente pequena.

Acesso digital ao dólar

Como grande parte das stablecoins é vinculada ao dólar, elas também podem funcionar como uma forma digital de acesso à moeda americana.

Esse aspecto ganha importância principalmente em países onde a moeda local apresenta maior instabilidade ou onde existe demanda por ativos denominados em dólar.

O BIS observa que stablecoins podem desempenhar uma função de reserva de valor em economias emergentes e em desenvolvimento com moedas vulneráveis. Ao mesmo tempo, o organismo alerta para possíveis efeitos sobre a soberania monetária e os sistemas financeiros domésticos.

Por que as stablecoins são importantes para o mercado financeiro?

A principal característica das stablecoins é a combinação entre uma unidade digital de valor e a infraestrutura programável das blockchains.

Essa combinação permite que um mesmo ativo seja utilizado em diferentes partes do ecossistema digital, desde negociações de criptomoedas até operações com contratos inteligentes.

O BIS aponta que as stablecoins já se tornaram um componente importante dos sistemas financeiros baseados em blockchain e que seu papel ultrapassa as simples transferências entre usuários.

Quais são os riscos das stablecoins?

Apesar das aplicações, stablecoins não estão livres de riscos.

Um dos principais está relacionado à capacidade de manter a paridade com o ativo de referência. Uma stablecoin que deveria valer aproximadamente US$ 1 pode apresentar desvios em determinadas condições de mercado.

Também existem riscos relacionados às reservas utilizadas pelo emissor, à liquidez, à segurança tecnológica, à governança, à regulamentação e à possibilidade de utilização para atividades ilícitas.

O FMI destaca riscos relacionados à estabilidade financeira, eficiência operacional, integridade financeira e segurança jurídica.

Além disso, o BIS alerta que uma adoção muito ampla pode criar efeitos sobre sistemas bancários, mercados financeiros e políticas monetárias, especialmente em países onde as stablecoins denominadas em dólar ganham participação.

Stablecoins ainda estão em expansão

O mercado de stablecoins continua em transformação. O BIS informou que a capitalização do mercado estava em aproximadamente US$ 320 bilhões no fim de maio de 2026, embora esse valor ainda seja pequeno quando comparado ao volume de depósitos bancários tradicionais.

O desenvolvimento de regulamentações também pode influenciar quais aplicações ganharão espaço nos próximos anos.

Enquanto algumas utilizações já estão consolidadas dentro do mercado cripto, outras, como pagamentos internacionais, tokenização e operações financeiras programáveis, ainda estão em processo de desenvolvimento.

Onde as stablecoins são utilizadas?

Entre os principais casos de utilização estão:

  • Negociação de criptomoedas
  • Liquidez dentro de exchanges
  • Operações de DeFi
  • Empréstimos baseados em contratos inteligentes
  • Provisão de liquidez
  • Transferências internacionais
  • Pagamentos digitais
  • Liquidação de operações
  • Tokenização de ativos
  • Gestão de determinados fluxos financeiros
  • Acesso digital a moedas estrangeiras

O uso real de cada aplicação varia conforme o país, a regulamentação, a infraestrutura disponível e o tipo de stablecoin.

O futuro das stablecoins no mercado financeiro

As stablecoins já ocupam uma posição relevante na infraestrutura do mercado de criptoativos, principalmente por facilitar negociações e permitir que diferentes operações ocorram dentro de redes blockchain.

Ao mesmo tempo, o setor financeiro tradicional começa a estudar de forma mais intensa a tokenização, os pagamentos programáveis e novas formas de liquidação digital.

O avanço dessas tecnologias não significa que as stablecoins substituirão automaticamente os sistemas financeiros tradicionais. O cenário envolve diferentes modelos de dinheiro digital, depósitos tokenizados, infraestrutura bancária e redes baseadas em blockchain. O BIS destaca justamente a necessidade de avaliar como essas tecnologias podem coexistir dentro de uma estrutura financeira segura e regulada.

Assim, as stablecoins podem continuar ampliando suas aplicações, especialmente em ambientes nos quais a programação, a transferência digital de valor e a integração com contratos inteligentes oferecem vantagens. A evolução desse mercado dependerá, entre outros fatores, da regulamentação, da segurança das reservas, da liquidez, da interoperabilidade e da confiança dos usuários.

Data e hora da consulta: 23 de setembro de 2026, às 18h.

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