quarta-feira, setembro 30

Bitcoin chega a superar o ouro em desempenho recente

O Bitcoin voltou a ganhar destaque no mercado financeiro após apresentar desempenho superior ao do ouro em diferentes períodos recentes. A comparação chamou atenção em 29 de setembro de 2026, quando o BTC era negociado próximo de US$ 84 mil, enquanto o ouro atravessava uma forte correção após ter alcançado níveis recordes ao longo do ano.

Segundo análise publicada pela CoinDesk, a recuperação do Bitcoin em relação ao ouro reacendeu no mercado a discussão sobre uma possível retomada da região de US$ 100 mil caso o movimento de valorização ganhe força. A publicação, entretanto, apresenta esse nível como uma possibilidade de mercado, e não como uma previsão de preço.

Bitcoin recupera espaço diante do ouro

Os dados de desempenho mostram uma diferença significativa entre os dois ativos em determinados períodos.

Em 29 de setembro, o Bitcoin acumulava aproximadamente 8,4% de alta em um mês e 43,8% em três meses, segundo dados compilados pelo StreetStats. No mesmo período, o ouro apresentava queda de aproximadamente 7,1% em um mês, embora ainda acumulasse alta de cerca de 3,4% em três meses.

A comparação ajuda a explicar por que o Bitcoin voltou a aparecer nas discussões sobre ativos utilizados como proteção patrimonial e reserva de valor.

Apesar disso, os dois ativos possuem características bastante diferentes. O ouro possui uma história muito mais longa como ativo financeiro, enquanto o Bitcoin apresenta maior volatilidade e reage de maneira mais intensa às mudanças nas expectativas dos investidores.

Ouro sofre pressão com juros americanos

A perda recente de força do ouro ocorreu em um cenário de aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Na segunda-feira, o ouro sofreu uma queda próxima de 4%, seu maior recuo diário desde junho. Entre os fatores apontados estavam a valorização do dólar, o aumento dos rendimentos dos Treasuries e a expectativa de juros americanos mais elevados.

Na terça-feira, o metal precioso conseguiu recuperar parte das perdas. O ouro à vista chegou a subir aproximadamente 0,7%, para cerca de US$ 4.142 por onça, enquanto os contratos futuros americanos tiveram alta de aproximadamente 0,3%.

Mesmo com a recuperação, o mercado continuou acompanhando as expectativas em relação às próximas decisões do Federal Reserve.

Bitcoin também sente o impacto dos juros

O ambiente de juros elevados não afeta apenas o ouro.

O Bitcoin também vem reagindo às mudanças nas expectativas de política monetária americana. Na terça-feira, o rendimento do Treasury de dez anos permanecia acima de 5,2%, enquanto o rendimento do título de 30 anos estava próximo de máximas observadas em décadas.

Títulos públicos com rendimentos mais elevados podem aumentar a concorrência por capital, especialmente entre ativos que não pagam juros ou dividendos.

Mesmo nesse cenário, o Bitcoin conseguiu recuperar parte das perdas recentes e voltar para perto de US$ 84 mil.

Bitcoin ainda está abaixo da máxima recente

Embora o BTC tenha apresentado desempenho superior ao ouro em determinados períodos, o ativo ainda não recuperou completamente sua máxima recente.

O Bitcoin chegou a negociar acima de US$ 86 mil nas últimas semanas, antes de recuar para a região de US$ 83 mil. Na terça-feira, o ativo voltou a subir e chegou a aproximadamente US$ 84.170, de acordo com dados acompanhados pela CoinDesk.

A recuperação ocorreu enquanto o mercado de criptomoedas tentava absorver os efeitos do aumento dos rendimentos dos títulos americanos.

US$ 100 mil volta ao radar do mercado

A recuperação do Bitcoin em relação ao ouro levou a CoinDesk a destacar novamente a possibilidade de o BTC buscar a região de US$ 100 mil caso consiga recuperar o impulso perdido nas últimas sessões.

O nível de US$ 100 mil permanece uma referência psicológica importante para o mercado de criptomoedas. Para chegar novamente a essa região a partir dos aproximadamente US$ 84 mil observados em 29 de setembro, entretanto, o Bitcoin precisaria registrar uma valorização expressiva.

A própria movimentação recente mostra que o caminho não é linear. O BTC chegou a superar US$ 87 mil antes de recuar, demonstrando que existe pressão vendedora em níveis superiores aos atuais.

Fluxos institucionais continuam importantes

Outro fator acompanhado pelos investidores é o comportamento dos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos.

Na segunda-feira (28), os ETFs spot de Bitcoin registraram aproximadamente US$ 31 milhões em entradas líquidas, segundo dados citados pela CoinDesk.

Esses produtos permitem que investidores tradicionais tenham exposição ao Bitcoin por meio do mercado financeiro convencional.

A continuidade ou interrupção desses fluxos pode influenciar a demanda pelo ativo, principalmente em um momento no qual o mercado tenta determinar se a recuperação recente possui força suficiente para superar as máximas registradas anteriormente.

Derivativos mostram redução da alavancagem

O mercado de futuros também apresentou mudanças importantes.

O open interest dos futuros de Bitcoin caiu de aproximadamente 650 mil BTC para 644 mil BTC, atingindo o menor nível desde 4 de março, segundo dados citados pela CoinDesk.

A redução indica que posições em aberto foram encerradas e ocorre em meio a uma diminuição da alavancagem no mercado.

Ao mesmo tempo, as taxas de financiamento voltaram para território positivo, enquanto os dados de posicionamento ficaram mais equilibrados.

Esse cenário mostra que a recuperação do Bitcoin ocorre com uma estrutura diferente daquela observada em períodos de forte expansão da alavancagem.

Bitcoin e ouro seguem trajetórias diferentes

Apesar da comparação de desempenho, Bitcoin e ouro continuam respondendo a fatores diferentes.

O ouro é influenciado por juros, dólar, inflação, demanda de bancos centrais e fatores geopolíticos. O Bitcoin, por sua vez, também reage a esses elementos, mas sofre influência adicional dos fluxos de ETFs, atividade do mercado de criptomoedas, posições em derivativos e expectativas relacionadas à adoção institucional.

A diferença fica evidente nos dados recentes: enquanto o ouro enfrentou uma correção significativa em setembro, o Bitcoin conseguiu manter valorização no mês.

O que observar daqui para frente

O desempenho do Bitcoin nos próximos dias dependerá de uma combinação de fatores.

Entre os principais estão o comportamento dos rendimentos dos Treasuries, os próximos dados de inflação dos Estados Unidos, os fluxos dos ETFs e a demanda no mercado à vista.

Também será importante acompanhar se o Bitcoin conseguirá recuperar a região dos US$ 87 mil, próxima da máxima recente, antes de qualquer discussão sobre níveis mais elevados.

Por enquanto, os dados mostram que o Bitcoin conseguiu superar o ouro em desempenho recente em determinados períodos, enquanto o metal precioso passa por uma fase de correção após uma forte valorização anterior.

A possibilidade de o BTC voltar a mirar US$ 100 mil entrou novamente no debate do mercado, mas a evolução dos preços dependerá da capacidade de o ativo sustentar a recuperação diante de um ambiente de juros elevados.

Data/Hora da Consulta: 29 de setembro de 2026.

Noticias S
Visão geral de privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos oferecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e realizam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.