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China impulsiona modernização da indústria automotiva e fortalece cooperação industrial e tecnológica com Brasil-Xinhua


Beijing, 5 out (Xinhua) — A China planeja acelerar a transformação e a modernização de sua indústria automotiva, tendo os veículos de nova energia (NEVs, sigla em inglês), inteligentes e conectados, como um dos principais motores desse processo. A estratégia também abre novas oportunidades para a cooperação industrial e tecnológica com o Brasil.

No início de setembro, o Ministério da Indústria e Informatização da China e outros oito departamentos divulgaram um plano para o desenvolvimento de NEVs inteligentes e conectados durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

O documento define esse segmento como a principal direção da transformação e modernização da indústria automotiva chinesa e estabelece a meta de consolidar, até 2030, as vantagens do país em toda a cadeia industrial, avançando na construção de uma potência automobilística mundial.

Após décadas de desenvolvimento impulsionado pelo avanço tecnológico, a indústria automotiva chinesa alcançou progressos significativos em escala industrial, tecnologias-chave e construção de marcas.

Em 2025, a produção e as vendas de automóveis da China alcançaram, respectivamente, 34,53 milhões e 34,4 milhões de unidades, altas de 10,4% e 9,4% na comparação anual. Desse total, a produção e as vendas de NEVs chegaram a quase 16,63 milhões e 16,49 milhões de unidades, respectivamente, mantendo a liderança mundial por 11 anos consecutivos.

Com a expansão global da indústria automobilística chinesa, o Brasil vem se tornando um importante mercado. No primeiro semestre deste ano, o Brasil tornou-se o maior destino das exportações chinesas de NEVs, com as exportações ao país atingindo 299.803 unidades no período, alta anual de 158%, segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA, sigla em inglês).

Para Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset Management (Bram), esse crescimento está relacionado à competitividade dos veículos eletrificados chineses e à incorporação de novas tecnologias. Para o Brasil e outros mercados, à medida que os produtos são testados e aprovados pela população, cria-se uma dinâmica em que quanto maior a disponibilidade, maior a demanda, explicou.

A expansão das vendas no exterior ocorre em paralelo à evolução tecnológica do setor. A implantação em larga escala de tecnologias de veículos inteligentes e conectados vem ampliando a competitividade do setor automotivo chinês.

Nos primeiros três trimestres de 2025, 64% dos novos veículos de passeio vendidos na China contavam com funções integradas de assistência ao condutor de Nível 2 (L2). Em 2026, esse índice subiu para 70%, com mais de 30% dos modelos oferecendo funcionalidades de assistência à condução baseadas em navegação. A direção autônoma condicional de Nível 3 (L3), por sua vez, avançou da fase de testes em vias fechadas para a aplicação comercial.

O avanço tecnológico também se estende a áreas-chave como baterias, sistemas de recarga, chips automotivos e plataformas de direção inteligente, criando novas possibilidades de cooperação com outros mercados.

No Brasil, onde o mercado de NEVs cresce rapidamente, essa relação vem ganhando uma nova dimensão: além da exportação de veículos, empresas chinesas passaram a investir na produção local e no desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições do mercado brasileiro.

Em novembro do ano passado, Renault e Geely estabeleceram uma parceria no Brasil para pesquisa, desenvolvimento e produção de NEVs, com investimento de R$ 3,8 bilhões no Paraná. Para receber a arquitetura GEA (Global Intelligent Electric Architecture) da Geely, a base produtiva da Renault Geely do Brasil, o Complexo Industrial Ayrton Senna concluiu uma ampla modernização no início de 2026.

A unidade está preparada para produzir veículos com diferentes tecnologias de propulsão, desde modelos com motores a combustão e híbridos até veículos totalmente elétricos. No dia 15 de setembro, a empresa anunciou o início da produção do híbrido plug-in Geely EX5 EM-i no complexo, marcando o primeiro produto da Geely fabricado nas Américas.

A cooperação também avança no desenvolvimento e na aplicação de novas tecnologias automotivas. A montadora chinesa BYD planeja construir no Rio de Janeiro um complexo voltado a testes automotivos, desenvolvimento de veículos e pesquisa tecnológica, com investimento de R$ 300 milhões.

O projeto terá como prioridade, segundo a empresa, o desenvolvimento de inovações voltadas ao futuro da mobilidade no Brasil, com destaque para tecnologias de direção autônoma. As obras devem começar ao fim de 2026, e a operação está prevista para 2028.

O plano para o desenvolvimento de NEVs inteligentes e conectados durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) estabelece que a China focará em áreas-chave como sistemas de propulsão, chassi inteligente e conectividade inteligente, realizando pesquisas estratégicas, prospectivas e pioneiras para impulsionar o desenvolvimento das tecnologias de próxima geração dos NEVs inteligentes e conectados. 



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