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Polícia desmantela esquema milionário de auditores do DF Legal

Por PATRICIA em 21/05/2022 às 06:52:20
  • Computadores, documentos e um farto armamento também foram recolhidos pelos agentes da PCDF Fotos: PCDF/Divulgação
  • Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, além de prisão temporária PCDF/Divulgação
  • Durante a operação, a polícia foi em vários locais no DF e também em Goiás PCDF/Divulgação
  • Delegado responsável pelo caso, Gabriel Oliveira não cravou o valor das movimentações. "Chega a milhões" PCDF/Divulgação
  • Ao menos 17 armamentos foram recolhidos pelos policiais PCDF/Divulgação
  • Gabriel Oliveira informou que, em uma das transações de emissão ilegal de um determinado alvará, foi pago R$ 300 mil. "São servidores públicos que fazem as coisas sob o manto da legalidade. Eles fazem suas ações supostamente acobertados pela sua função fiscalizatória e, para (a investigação) comprovar que fazem aquilo com interesses escusos, demanda muitas diligências e um acompanhamento durante um período prolongado", explicou o delegado durante coletiva de imprensa, na manhã de sexta-feira.

    As apurações, das quais participaram 100 policiais, tiveram início após denúncias anônimas e da própria secretaria DF Legal. Os suspeitos cobrariam vantagens indevidas para não fiscalizar determinados imóveis e pessoas, além de emitir autorizações de incumbência da pasta — como alvarás de construção e cartas Habite-se — e reduzir ou extinguir, ilicitamente, débitos e taxas. Outras irregularidades verificadas envolvem o cancelamento irregular de autos de infrações, embargos e interdições e o repasse de informações sigilosas sobre data e local de ações fiscalizatórias. A PCDF avalia que as ações do grupo podem ter começado há mais tempo.

    Além das prisões temporárias, a polícia cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em diversas regiões da capital e nas cidades goianas de Alexânia e Goiânia. A princípio, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) não participou das diligências. Três mandados foram direcionados para o núcleo criminoso, e os 14 restantes demais miraram clientes investigados. Na casa de um dos agentes do DF Legal, a polícia localizou armas de fogo em situação ilegal. "Ele também foi preso em flagrante por conta dessa posse irregular", acrescentou Gabriel Oliveira.

    De acordo com o delegado, o servidor informou que seria atirador e colecionador de armas. A polícia investiga uma possível conexão dos armamentos na invasão de terras e grilagem de terrenos, por conta da grande quantidade de equipamentos apreendidos. "Vamos investigar indícios de outros crimes que possam ter ocorrido", destacou o investigador.

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    Atuação

    Na casa de outro suspeito, a PCDF encontrou munições de origem não comprovada e o suspeito foi autuado por posse ilegal dos itens. "Não temos um número exato de quantas pessoas teriam contratado esses auditores. Porém, todos aqueles que nós conseguimos identificar e colher elementos suficientes também foram alvos de buscas", mencionou Gabriel.

    As atividades do suspeitos ultrapassavam o mundo físico e ocorriam também em modo virtual. "Temos notícias de que haveria um grupo de mensagem instantâneas (WhatsApp) em que os participantes pagavam para fazer parte e receber informações privilegiadas e sigilosas sobre a iminência de operações de fiscalização", destacou o delegado. Os valores pagos pelos clientes dependiam do tipo de serviço a ser feito e do poder aquisitivo de cada um.

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    Segundo a DRCor, o DF Legal colaborou com a Polícia Civil durante as diligências. As investigações policiais foram comunicadas à secretaria, que conferiu os processos administrativos de liberação de alvarás e de embargos de obras, entre outros atos irregulares da quadrilha. Os presos podem responder pelos crimes de associação criminosa, concussão e corrupção. Somadas, as penas podem chegar a 27 anos de prisão. Já os clientes, se for comprovado que houve o pagamento de vantagens indevidas, responderão por corrupção ativa.

    Colaboração

    Em nota, o DF Legal afirmou que "cooperou desde o primeiro momento com todas as informações. A pasta informa, ainda, que não coaduna com nenhum tipo de irregularidade e é pautada pela transparência e honestidade de seu trabalho para a população do Distrito Federal. A secretaria destaca que abriu processo em sua corregedoria interna para a devida apuração dos fatos", destacou.

    Colaborou Ana Isabel Mansur

    Fonte: Correio Braziliense

    Tags:   Quadrilha
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