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Casal de idosos vai à escola para aprender a ler e a escrever em Ribeirão Preto: 'Vai mudar muita coisa'

Por PATRICIA em 03/07/2022 às 08:40:17

Seu Malaquias, de 78 anos, e dona Terezinha, de 89, foram impedidos de estudar na juventude por causa do trabalho na roça. Agora, eles são alunos do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). Aos 78 anos, o administrador de fazenda aposentado Antônio Malaquias da Silva e a mulher dele, Terezinha de Maria da Silva, de 89, se preparam para sair de casa durante as noites em Ribeirão Preto (SP) e ir à escola.

Na juventude, impedido pelo trabalho na roça, o casal de idosos não pode frequentar as aulas. Seguiu analfabeto a vida toda, mas encontrou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a oportunidade que faltava para deixar para trás anos e anos de incompreensão das letras.

“Eu acho que vai mudar muita coisa [alfabetizada] porque a pessoa quando não sabe ler, um pingo é letra, né? Ontem eu fiz meu nome na lousa tudo direitinho. Eu fiquei tão alegre. Deus está me ajudando, abrindo meus caminhos. Eu quero estudar”, diz a dona de casa.

Terezinha de Maria da Silva e Antônio Malaquias da Silva no banco da escola em Ribeirão Preto, SP

Fabio Junior/EPTV

Dificuldades na juventude

Dona Terezinha e seu Malaquias estão entre os 800 alunos matriculados no EJA na rede municipal de ensino em Ribeirão Preto.

No Brasil, Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 11 milhões de pessoas consideradas analfabetas. O objetivo do Plano Nacional de Educação (PNE) é de alfabetizar toda a população até 2024. O casal experiente faz parte do projeto.

Na infância, dona Terezinha foi impedida de estudar pela tia que a criou por causa das tarefas em casa e na roça. Ela afirma que manifestava o desejo de frequentar as aulas na escola da zona rural, mas não era possível.

“Ela ficava brava comigo quando eu falava "deixa eu estudar, tem uma escola aqui pertinho". Eu via os meninos irem e conversava com eles escondido dela. Os meninos falavam: "por que sua tia não deixa você estudar?". Eu falava: "ela não deixa porque eu tenho que fazer comida, ajudar ela". Ela tinha só um menino e o menino dela ia para a roça também trabalhar.”

Terezinha e Antônio Malaquias estão juntos há 40 anos, mas nunca frequentaram a escola em Ribeirão Preto, SP

Arquivo pessoal

Com seu Malaquias, o trabalho também foi prioridade. Ao longo da vida, ele se dedicou a administrar fazendas e a cuidar do gado e da lavoura. As letras, no entanto, ficaram em segundo plano.

Os dois vivem juntos há 40 anos e têm um filho. Agora, na terceira idade e com a vida mais tranquila, resolveram que era hora de realizar o sonho antigo de ler as palavras, assinar o próprio nome.

“Era uma coisa que eu sempre quis e não consegui. Agora, depois de rapaz mais novo [risos], né, eu estou conseguindo. Vou seguir a vida. Aí já não precisa mais de a gente ficar dependendo dos outros. Muda tudo”, diz o aposentado.

Dona Terezinha e seu Malaquias são alunos do programa Educação para Jovens e Adultos (EJA) em Ribeirão Preto, SP

Fabio Junior/EPTV

Escola pela primeira vez na vida

Matriculados na classe da professora de língua portuguesa Juliana Brittes, eles são os alunos mais velhos e também os mais dedicados dela. Quando chegam à sala, sentam na primeira carteira, e os olhos curiosos e a vontade de aprender deixam a educadora ainda mais animada.

“É tanta força, tanta vontade de aprender, de estudar. Eu me apaixonei. Eles têm muita disciplina. Às vezes tem aquele lapso de tempo, de trocar a matéria, de deixar de escrever na lousa, mas o seu Malaquias pergunta o que vem agora, o que a gente vai fazer? Eles poderiam estar em casa tranquilos, mas há a vontade de estudar, não é só vir por vir. Eles não faltam. Eles querem aprender de verdade”, diz Juliana.

Hoje, à frente dos cadernos e cheio de interesse nas lições, seu Malaquias incentiva aqueles que assim como ele passaram uma vida sem conseguir ler e escrever.

“É muito gratificante. Precisa prestar muita atenção. Eu sempre aviso meus colegas que estavam estudando e pararam: gente, vocês vão ficar em casa fazendo o quê? Vamos andar. Um pouco que aprende já não precisa depender dos outros que estão sabendo, né?”, diz.

Quem quiser se matricular no programa EJA pode procurar diretamente as escolas municipais.

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Fonte: G1

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