Crianças recebem óculos grátis da Prefeitura de Curitiba e melhoram desempenho escolar

Texto: Claudia Regina de Oliveira Gabardo

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Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

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O programa Olhar Que Transforma, que desde abril oferta exames oftalmológicos e óculos grátis aos estudantes das 188 escolas da Prefeitura de Curitiba, já passou por 153 unidades de ensino e avaliou cerca de 45,7 mil dos 77 mil matriculados. Destes, 6 mil foram diagnosticados com algum tipo de deficiência visual e estão usando ou prestes a receber seus óculos.

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A iniciativa foi proposta pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) e executada em parceria com as secretarias municipais da Educação e da Saúde e representa um investimento de R$ 8 milhões. “É um esforço das equipes do prefeito Eduardo Pimentel para levar mais qualidade de vida às crianças da nossa cidade e suas famílias”, define o secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior.

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Xô, astigmatismo

A menina Micaela Vitória de Lima Ribeiro, de 7 anos, é um exemplo de criança beneficiada. Para ela, que estuda na Escola Municipal Sady Sousa, no Sítio Cercado, a rotina mudou. 

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“Quando a professora pedia pra ler, eu forçava a visão pra enxergar. Mas quando comecei a usar óculos, não precisei mais forçar. Fiquei mais segura”, diz a menina, que foi diagnosticada com astigmatismo – deficiência visual determinada pela deformação ou irregularidade da córnea.

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Micaela Ribeiro, estudante da Escola Municipal Sady Sousa

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Por causa disso, há menos de 3 meses ela tinha dor de cabeça, sentava bem perto da TV para assistir aos programas favoritos, precisava usar colírio e mudava de lugar na sala de aula para ficar mais perto do quadro. “Em casos assim, muitas vezes a gente pensa em mandar para o neurologista, mas o caso é apenas para oftalmologista”, argumenta o diretor da unidade, Valdinei de Jesus Rocha.

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Agora, garante a professora Gisele Joenk, a estudante progrediu. “Ela melhorou a cópia dos textos do quadro, o traçado da escrita e a leitura. Com os outros que passaram a usar óculos também aconteceu a mesma coisa”, relata. 

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Para a educadora Maria Aparecida Mateus Lima, do Núcleo Regional de Educação Bairro Novo, estar de óculos é como abrir os olhos. “Em geral a evolução em sala de aula é grande e rápida”, diz.

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Sem baque no orçamento

O benefício também chega aos bolsos dos pais, que não precisam espremer o orçamento para pagar os óculos para os filhos. “Sou mãe solo e motorista de aplicativo. Então, para mim, é um pouco mais complicado. Quando lançaram o programa e ela chegou em casa falando que ia ganhar óculos, foi um alívio”, diz Rúbia Severo de Lima, mãe de Micaela. 

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Segundo Rúbia, se tivesse que pagar pelos óculos, gastaria em torno de R$ 1 mil. ”Ia ser apertado pra nós”, argumenta.

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 Rúbia Lima, mãe de Micaela.

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Para Fernanda Ziemmermann, que atua junto à coordenação do Olhar Que Transforma na SME, o impacto é direto na aprendizagem e no desempenho dos estudantes em sala de aula. “Isso possibilita que as crianças aprendam com mais facilidade, o que contribui para que nenhum aluno fique para trás”, observa.

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Fernanda Ziemmermann, coordenação do Olhar Que Transforma na SME.

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Acesso facilitado

Para que resultados como esse acontecessem, foram contratadas cinco instituições de saúde: o Hospital da Visão, Médicos de Olhos, Menino Deus, Hospital de Olhos e Santa Casa, que deslocam equipes e equipamentos para as escolas. É lá que tudo acontece, desde os exames, a escolha dos modelos das armações – de acordo com o gosto de cada criança - e a entrega dos óculos.

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Já foram examinadas crianças de 1º ao 9º ano das escolas das regionais Boqueirão, CIC, Boa Vista, Cajuru, Pinheirinho e também no Bairro Novo, onde todos os estudantes com indicação clínica já receberam seus óculos. Essa é a regional onde fica a escola frequentada há 4 anos por Micaela e, mais recentemente, pela irmãzinha Eloá, de 2 anos. Ali, 34 dos 240 coleguinhas da menina foram diagnosticados com algum tipo de deficiência visual e já estão de óculos.

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Agora, o programa está percorrendo escolas da regionais Santa Felicidade, Portão, Matriz e Tatuquara. O trabalho deve ser concluído no fim de novembro.

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