
O Bitcoin ganhou força nesta quarta-feira (30), depois que novos dados de inflação dos Estados Unidos mostraram uma desaceleração maior do que a esperada pelo mercado. O resultado do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), reduziu as expectativas de uma nova alta dos juros americanos em outubro.
O PCE registrou alta de 3,4% em agosto na comparação anual, abaixo da projeção de 3,7% dos economistas. Na comparação mensal, o indicador avançou 0,3%, em linha com as estimativas. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, subiu 3,0% em 12 meses e 0,2% no mês, também abaixo das expectativas.
A divulgação dos números provocou uma reação imediata nos mercados financeiros. O Bitcoin chegou a superar US$ 85 mil após a publicação dos dados, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram inicialmente. Segundo dados citados pela imprensa financeira, o BTC chegou a aproximadamente US$ 85.380, com alta de cerca de 1,4% em 24 horas.
Mercado reduz apostas de alta de juros em outubro
A principal consequência do relatório de inflação ocorreu nas expectativas para a política monetária americana.
Antes da divulgação do PCE, os contratos acompanhados pelo mercado indicavam uma probabilidade superior a 50% de uma nova alta dos juros na reunião de outubro. Depois dos dados, essa possibilidade caiu para a faixa de 35% a 38%, dependendo da ferramenta e do momento da medição. A Reuters registrou posteriormente uma probabilidade de aproximadamente 34,9%.
A mudança é importante para o mercado de criptomoedas porque juros mais elevados tendem a aumentar a atratividade de ativos de renda fixa denominados em dólar e podem reduzir o fluxo de capital para ativos considerados de maior risco.
Com uma inflação mais moderada, cresce a percepção de que o Federal Reserve pode ter mais espaço para aguardar novos dados antes de decidir por outro aumento dos juros.
Núcleo do PCE mostra desaceleração
O comportamento do núcleo do PCE chamou atenção. O indicador passou de 3,3% para 3,0% na comparação anual, ficando abaixo da previsão de 3,3% apontada pelo mercado. O resultado reforçou a percepção de que algumas das pressões inflacionárias observadas anteriormente perderam intensidade.
Apesar disso, a inflação ainda permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. Por isso, os dados não eliminam completamente a possibilidade de novas altas dos juros.
Além disso, a economia americana continua apresentando sinais de resistência. Os gastos dos consumidores aumentaram 0,9% em agosto, enquanto a renda disponível avançou 0,3%. O desempenho do consumo reduz a possibilidade de uma desaceleração econômica rápida, mas também pode manter alguma pressão sobre os preços.
Bitcoin reage ao cenário macroeconômico
A reação do Bitcoin evidencia novamente a importância dos indicadores econômicos americanos para o mercado de criptomoedas.
Antes da divulgação, o BTC vinha sendo negociado próximo dos US$ 83 mil, com investidores aguardando justamente o resultado do PCE. Após os números, a criptomoeda avançou e ultrapassou temporariamente a marca de US$ 85 mil.
O movimento também ocorreu em um momento de atenção aos rendimentos dos títulos americanos. O rendimento da Treasury de 10 anos recuou após a divulgação do PCE, enquanto o dólar perdeu força inicialmente. Esse ambiente pode favorecer ativos de risco, incluindo criptomoedas, embora a relação entre os indicadores macroeconômicos e o preço do Bitcoin não seja automática.
Fed ainda mantém decisão de outubro em aberto
Apesar da reação positiva dos mercados, o cenário para a reunião de outubro continua dependente dos próximos indicadores econômicos.
O Federal Reserve elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual em setembro, levando o intervalo dos juros para 3,75% a 4,00%. A decisão ocorreu diante da persistência da inflação, e integrantes do banco central continuam avaliando a necessidade de novas medidas para aproximar a inflação da meta de 2%.
O resultado do PCE, portanto, não representa uma garantia de que os juros permanecerão inalterados. Ele apenas alterou as expectativas do mercado sobre a reunião de outubro, reduzindo a probabilidade atribuída a uma nova alta imediatamente.
Bitcoin entra no último trimestre sob influência dos juros
O desempenho do Bitcoin passa a ser acompanhado de perto à medida que o mercado entra no último trimestre de 2026. A combinação entre inflação, juros, rendimentos dos títulos americanos e fluxo institucional continua sendo um dos principais fatores capazes de provocar oscilações no preço da criptomoeda.
Dados divulgados nesta quarta-feira mostram que o mercado reagiu positivamente ao PCE mais fraco que o esperado, mas os investidores ainda precisam acompanhar os próximos indicadores e declarações de dirigentes do Federal Reserve.
Para o Bitcoin, a questão central continua sendo se a desaceleração da inflação será suficiente para reduzir a pressão por novos aumentos dos juros americanos ou se a força do consumo e outros fatores de preços manterão o Fed em uma postura mais restritiva.
Data/Hora da Consulta: 30 de setembro de 2026.
