sexta-feira, outubro 23

Duas brasileiras desafiam alturas das pontes na montanhosa província chinesa de Guizhou


Guiyang, 22 out (Xinhua) — Para Paloma Oliveira, brasileira que vive na Alemanha, e Julia Morgan, treinadora de salto BASE e ex-advogada, as pontes da Província de Guizhou, no sudoeste da China, são mais do que cenários para saltos radicais.

A viagem à província chinesa também lhes permite conhecer as paisagens, a cultura e os habitantes locais, aproximando pessoas de diferentes países por meio do esporte.

As duas brasileiras estão em Guizhou para o Torneio Internacional de Saltos de Paraquedas em Pontes Altas, que ocorre de 17 a 23 de outubro nas pontes do rio Baling e do Grande Cânion Huajiang. O evento reúne 32 praticantes de salto BASE de 19 países, atraídos pelas pontes que cruzam os profundos cânions da região montanhosa.

A ponte do rio Baling tem 370 metros de altura. Já a ponte do Grande Cânion Huajiang, inaugurada em setembro de 2025, foi reconhecida pelo Guinness World Records em abril de 2026 como a ponte mais alta do mundo, com 626,01 metros entre sua estrutura e o fundo do cânion.

Esta é a segunda visita de Paloma a Guizhou. Em 2024, ela esteve pela primeira vez na província e, nesta viagem, visitou um museu dedicado às pontes, instalado sob a ponte do rio Baling. Ali, ela soube que Guizhou tem mais de 30 mil pontes e abriga quase metade das 100 pontes mais altas do mundo.

“Quero morar aqui por um ano e saltar de todas as pontes, porque é magnífico”, disse, impressionada com a dimensão das obras.

Nascida e criada no Brasil, Paloma começou a praticar salto BASE em 2009 e considera o esporte parte essencial de sua identidade. “Significa tudo para mim. Se me perguntarem quem sou, a primeira coisa que vou dizer é que sou praticante de salto BASE”, disse.

Paloma reconhece que as diferenças culturais tornam a China um lugar que a desconcerta, mas diz sentir-se acolhida. “Os chineses são respeitosos, curiosos e gentis, e fazem um esforço para me compreender”, observou. Ela também destacou a combinação entre tradição e alta tecnologia no país.

Paloma e Julia se conheceram no Brasil em 2012 e passaram a compartilhar a paixão pelo salto BASE. Nos últimos dias, Julia já saltou várias vezes da ponte do Grande Cânion Huajiang. Segundo ela, a altura da estrutura e os ventos mais complexos e turbulentos tornam os saltos tecnicamente mais exigentes.

“Pular da ponte do Grande Cânion Huajiang é, sem dúvida, uma experiência única na vida”, disse Julia. Ela também se encantou com a paisagem ao redor, marcada por cachoeiras, arco-íris e atividades de bungee jump, que dão ao local um ar “mágico”.

Julia começou a praticar salto BASE em 2012, quando ainda trabalhava como advogada, e acabou transformando o esporte em profissão. Hoje, administra uma escola de salto BASE com o marido norte-americano.

A treinadora já visitou a China cerca de seis vezes. Sua primeira viagem foi em 2018, para participar do evento Wings for Love World Cup, realizado na Província de Yunnan, onde saltou de um helicóptero para dentro de uma caverna. Neste ano, ela já esteve em Guizhou duas vezes.

Em março, Julia orientou seis alunos no distrito de Longli, perto de Guiyang, capital de Guizhou. Também treinou dois praticantes chineses na Itália e planeja ensinar outros dois no Brasil em dezembro. Com o crescimento da comunidade local, ela espera que a China venha a estabelecer sua própria associação de salto BASE.

A experiência de Julia em cerca de 30 países também a fez valorizar os laços entre os praticantes. Ela considera os habitantes de Guizhou muito parecidos com os brasileiros por sua receptividade. “As pessoas são muito amigáveis. Sinto que são muito parecidas com os brasileiros, muito calorosas e acolhedoras”, afirmou.

Para Julia, a comunidade internacional do salto BASE é como uma família. “Formamos uma só comunidade e sempre cuidamos uns dos outros”, disse, ressaltando que o esporte pode fortalecer a compreensão entre Brasil e China.

As duas atletas disseram que pretendem voltar à China com frequência e esperam ver mais praticantes chineses de salto BASE conquistarem reconhecimento internacional.



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