sexta-feira, outubro 9

Seminário atrai público interessado em se atualizar sobre crianças e adolescentes neurodivergentes


A determinação em atualizar conhecimentos para atender crianças e adolescentes neurodivergentes foi o que motivou parte da equipe da Central Integrada de Apoio Familiar (Ciaf) a se inscrever no II Seminário pelo Desenvolvimento Humano desde a Infância, que aconteceu nesta sexta-feira (9/10), no Salão de Atos do Parque Barigui.

“Nosso objetivo, é incluir a turma de modo que todos aproveitem as atividades. Por isso, orientamos e damos aos neurodivergentes a oportunidade de escolher ficar em sala ou buscar outros espaços na unidade onde eles podem se sentir melhor, por exemplo, por causa do barulho”, explicou Simone Martins sobre a dinâmica da Ciaf. A unidade atende 27 crianças. Três são diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte – que engloba os que têm mais autonomia.

Neurodivergências

TEA é uma das modalidades de neurodivergência – conjunto de características pessoas com funcionamento cerebral não convencional. Em Curitiba, de acordo com o censo populacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 havia 24.998 moradores com TEA, correspondente a 2% da população geral da cidade. Destes, 8.361 tinham entre 0 e 14 anos.

Além dos diagnosticados com TEA, também se enquadram entre as neurodivergências o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e as altas habilidades. Entre outras, essas são condições em que o cérebro processa informações, aprende, se comunica e interage de modo singular.

A rede municipal de ensino de Curitiba atende 4.216 estudantes com TEA e outros 79 que mesclam esse diagnóstico com altas habilidades e superdotação. Já a rede municipal de saúde registra 2 mil crianças com TEA em acompanhamento no Ambulatório Encantar, da Prefeitura, e em clínicas contratadas.

Oportunidade de atualização

O seminário, que registrou 326 participantes e praticamente lotou o espaço, foi uma promoção do Departamento da Criança, Adolescente e Migrante da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comtiba). O público-alvo foram os profissionais de saúde, educação, ação social, segurança, justiça e Terceiro Setor.

O evento foi presidido pelo secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior, que dividiu a mesa de abertura com representantes da Fundação de Ação Social (FAS) e das secretarias municipais da Educação e da Saúde. “Se estamos abertos ao que existe de novo na área do conhecimento especializado, é para melhor atender a esse público e garantir a manutenção e o respeito aos seus direitos”, disse Pijak, que compartilhou com a plateia o fato de ter um filho com TEA. “Oportunidades, proteção e pertencimento é o que eles precisam”, afirmou.

Convidados

Participaram do seminário como palestrantes a neurologista Fernanda Wagner Fredo dos Santos; a psicóloga e professora do Departamento de Teoria e Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Paraná Maria de Fátima Minetto; e a mestre em Educação com foco no TEA Mariana Minetto. Elas discorreram sobre neurodesenvolvimento, família e neurodiversidade, manejo de crises e conhecimento e atendimento na prática.

O evento foi encerrado com uma mesa-redonda com os psicólogos Camila Cardoso Rauen, Cláudia Mazziotti Moreira Rabel e Eduardo Cassanho de Oliveira, além da mãe atípica Mayara Ferreira Budel.



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