terça-feira, outubro 13

Crianças recebem óculos grátis da Prefeitura de Curitiba e melhoram desempenho escolar


Texto: Claudia Regina de Oliveira Gabardo

Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

O programa Olhar Que Transforma, que desde abril oferta exames oftalmológicos e óculos grátis aos estudantes das 188 escolas da Prefeitura de Curitiba, já passou por 153 unidades de ensino e avaliou cerca de 45,7 mil dos 77 mil matriculados. Destes, 6 mil foram diagnosticados com algum tipo de deficiência visual e estão usando ou prestes a receber seus óculos.

A iniciativa foi proposta pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) e executada em parceria com as secretarias municipais da Educação e da Saúde e representa um investimento de R$ 8 milhões. “É um esforço das equipes do prefeito Eduardo Pimentel para levar mais qualidade de vida às crianças da nossa cidade e suas famílias”, define o secretário da SMDH, Carlos Eduardo Pijak Júnior.

Xô, astigmatismo

A menina Micaela Vitória de Lima Ribeiro, de 7 anos, é um exemplo de criança beneficiada. Para ela, que estuda na Escola Municipal Sady Sousa, no Sítio Cercado, a rotina mudou. 

“Quando a professora pedia pra ler, eu forçava a visão pra enxergar. Mas quando comecei a usar óculos, não precisei mais forçar. Fiquei mais segura”, diz a menina, que foi diagnosticada com astigmatismo – deficiência visual determinada pela deformação ou irregularidade da córnea.

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Micaela Ribeiro, estudante da Escola Municipal Sady Sousa

Por causa disso, há menos de 3 meses ela tinha dor de cabeça, sentava bem perto da TV para assistir aos programas favoritos, precisava usar colírio e mudava de lugar na sala de aula para ficar mais perto do quadro. “Em casos assim, muitas vezes a gente pensa em mandar para o neurologista, mas o caso é apenas para oftalmologista”, argumenta o diretor da unidade, Valdinei de Jesus Rocha.

Agora, garante a professora Gisele Joenk, a estudante progrediu. “Ela melhorou a cópia dos textos do quadro, o traçado da escrita e a leitura. Com os outros que passaram a usar óculos também aconteceu a mesma coisa”, relata. 

Para a educadora Maria Aparecida Mateus Lima, do Núcleo Regional de Educação Bairro Novo, estar de óculos é como abrir os olhos. “Em geral a evolução em sala de aula é grande e rápida”, diz.

Sem baque no orçamento

O benefício também chega aos bolsos dos pais, que não precisam espremer o orçamento para pagar os óculos para os filhos. “Sou mãe solo e motorista de aplicativo. Então, para mim, é um pouco mais complicado. Quando lançaram o programa e ela chegou em casa falando que ia ganhar óculos, foi um alívio”, diz Rúbia Severo de Lima, mãe de Micaela. 

Segundo Rúbia, se tivesse que pagar pelos óculos, gastaria em torno de R$ 1 mil. ”Ia ser apertado pra nós”, argumenta.

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 Rúbia Lima, mãe de Micaela.

Para Fernanda Ziemmermann, que atua junto à coordenação do Olhar Que Transforma na SME, o impacto é direto na aprendizagem e no desempenho dos estudantes em sala de aula. “Isso possibilita que as crianças aprendam com mais facilidade, o que contribui para que nenhum aluno fique para trás”, observa.

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Fernanda Ziemmermann, coordenação do Olhar Que Transforma na SME.

Acesso facilitado

Para que resultados como esse acontecessem, foram contratadas cinco instituições de saúde: o Hospital da Visão, Médicos de Olhos, Menino Deus, Hospital de Olhos e Santa Casa, que deslocam equipes e equipamentos para as escolas. É lá que tudo acontece, desde os exames, a escolha dos modelos das armações – de acordo com o gosto de cada criança – e a entrega dos óculos.

Já foram examinadas crianças de 1º ao 9º ano das escolas das regionais Boqueirão, CIC, Boa Vista, Cajuru, Pinheirinho e também no Bairro Novo, onde todos os estudantes com indicação clínica já receberam seus óculos. Essa é a regional onde fica a escola frequentada há 4 anos por Micaela e, mais recentemente, pela irmãzinha Eloá, de 2 anos. Ali, 34 dos 240 coleguinhas da menina foram diagnosticados com algum tipo de deficiência visual e já estão de óculos.

Agora, o programa está percorrendo escolas da regionais Santa Felicidade, Portão, Matriz e Tatuquara. O trabalho deve ser concluído no fim de novembro.



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