terça-feira, setembro 22

O que é regulação de criptoativos e por que ela importa

A regulação de criptoativos é o conjunto de leis, normas e mecanismos de fiscalização que estabelece como empresas e determinadas operações envolvendo ativos digitais devem funcionar.

No Brasil, esse mercado já possui uma estrutura regulatória. A Lei nº 14.478/2022 criou o marco legal para os serviços de ativos virtuais, enquanto o Decreto nº 11.563/2023 atribuiu ao Banco Central a responsabilidade de regulamentar e supervisionar esses serviços, sem retirar da CVM suas competências sobre valores mobiliários.

O que são criptoativos?

Criptoativos são representações digitais de valor que utilizam tecnologias como blockchain ou outras formas de registro distribuído.

Nesse universo estão ativos com características diferentes, como:

  • Bitcoin;
  • Ether;
  • stablecoins;
  • tokens de utilidade;
  • tokens que representam outros ativos;
  • determinados tokens vinculados a valores mobiliários.

Essa diferença é importante porque nem todo criptoativo recebe o mesmo tratamento regulatório.

A CVM, por exemplo, reconhece categorias como tokens de pagamento, tokens de utilidade e tokens referenciados a ativos. A autarquia atua quando o criptoativo se enquadra como valor mobiliário.

Por que o mercado precisa de regras?

O mercado de criptoativos envolve serviços de negociação, custódia, intermediação e transferência de valores.

A existência de regras procura estabelecer responsabilidades para os participantes e criar mecanismos de controle sobre atividades que podem apresentar riscos financeiros e operacionais.

Entre os objetivos estão:

  • aumentar a transparência;
  • estabelecer requisitos para prestadores de serviços;
  • fortalecer controles internos;
  • reduzir riscos de fraudes;
  • combater lavagem de dinheiro;
  • melhorar mecanismos de gerenciamento de riscos;
  • estabelecer parâmetros para determinadas operações.

A regulamentação, portanto, não significa que os preços das criptomoedas deixarão de oscilar ou que os ativos passarão a ter retorno garantido.

Quem regula os criptoativos no Brasil?

O Banco Central e a CVM possuem competências diferentes.

O Banco Central é responsável pela regulamentação e supervisão dos prestadores de serviços de ativos virtuais abrangidos pela Lei nº 14.478/2022.

Já a CVM continua responsável pelos valores mobiliários, independentemente de eles serem representados de maneira tradicional ou por meio de tokens.

Essa divisão evita tratar todos os criptoativos como se fossem uma única categoria.

Bitcoin é regulado pela CVM?

Não simplesmente por ser Bitcoin.

A CVM informa que Bitcoin e a maioria das criptomoedas não são valores mobiliários apenas por serem criptoativos. Portanto, não ficam automaticamente submetidos às regras da CVM.

Por outro lado, um token pode entrar no âmbito da CVM quando possuir características que o enquadrem como valor mobiliário, como determinados contratos de investimento coletivo ou tokens que representem valores mobiliários tradicionais.

Em abril de 2026, a própria CVM esclareceu, em um caso envolvendo o grupo OnilX, que determinadas atividades regulares de compra, venda e troca de criptoativos que não constituam valores mobiliários não estavam abrangidas pela ordem específica analisada.

O que muda para as exchanges?

A regulamentação cria requisitos específicos para empresas que prestam serviços relacionados a ativos virtuais.

A Resolução BCB nº 520 disciplina a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais e também a prestação desses serviços por outras instituições autorizadas pelo Banco Central.

Isso envolve uma estrutura mais formal para atividades como intermediação e custódia de ativos virtuais.

Para o mercado, significa que determinadas empresas passam a estar submetidas a requisitos regulatórios que não existiam da mesma forma antes da implementação desse novo marco.

A regulação protege contra golpes?

A regulamentação pode aumentar os mecanismos de controle e fiscalização, mas não elimina o risco de golpes ou perdas.

A própria CVM alerta que o mercado de criptoativos apresenta riscos relacionados à volatilidade e à atuação de participantes mal-intencionados.

Por isso, uma empresa estar sujeita a regras regulatórias não significa que qualquer ativo negociado nela tenha garantia de valorização ou que uma operação seja livre de riscos.

E a tokenização?

A regulação também está acompanhando a expansão da tokenização.

Em julho de 2026, a CVM criou um Grupo de Trabalho de Tokenização para estudar e testar questões relacionadas ao registro, depósito, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários utilizando tecnologias de registro distribuído, conhecidas como DLTs.

A iniciativa mostra que o debate regulatório não está limitado às criptomoedas tradicionais. A representação digital de ativos financeiros também passou a fazer parte da agenda regulatória.

Por que a regulação importa para quem acompanha criptomoedas?

A regulamentação é importante porque ajuda a definir quem pode prestar determinados serviços, quais obrigações essas empresas precisam cumprir e qual órgão possui competência sobre cada atividade.

Para quem acompanha o mercado, três perguntas são especialmente relevantes:

Qual é o ativo?
Bitcoin, stablecoins e tokens que representam direitos financeiros podem ter características diferentes.

Qual é o serviço?
Comprar e vender um criptoativo, fazer custódia ou oferecer um produto de investimento podem envolver regras diferentes.

Qual órgão possui competência?
O Banco Central atua na esfera dos serviços de ativos virtuais dentro de sua competência, enquanto a CVM atua quando há enquadramento nas regras de valores mobiliários.

A regulação pode mudar?

Sim. O mercado ainda está em desenvolvimento e os órgãos reguladores continuam estudando novas aplicações da tecnologia.

Em setembro de 2026, a CVM continuava conduzindo discussões sobre tokenização e infraestrutura de mercado baseada em tecnologias de registro distribuído.

Isso significa que a regulação brasileira não deve ser vista como um conjunto completamente estático de regras. Novas normas e ajustes podem surgir conforme novos produtos e modelos de negócio sejam desenvolvidos.

Regulação significa que investir em criptoativos ficou sem risco?

Não.

A regulação estabelece regras para determinadas empresas e atividades, mas não transforma criptomoedas em ativos sem risco.

A volatilidade dos preços, riscos tecnológicos, problemas de liquidez, falhas de segurança e características específicas de cada projeto continuam sendo fatores que precisam ser considerados.

O principal efeito da regulação é criar um ambiente com responsabilidades e controles mais definidos, e não garantir o desempenho financeiro de determinado criptoativo.

Por que entender essas regras é importante?

A evolução da regulação muda a forma como o mercado de criptoativos funciona no Brasil.

Para empresas, significa novas obrigações e requisitos. Para o mercado, representa uma estrutura mais definida de supervisão. Para quem acompanha os ativos digitais, ajuda a entender quais atividades estão sujeitas ao Banco Central, quais entram no âmbito da CVM e quais riscos continuam existindo mesmo em um ambiente regulado.

Data de atualização: 20 de setembro de 2026

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